Mais de cem profissionais do setor cinematográfico e a mídia se reuniram no 18 de abril, em Madri, durante o encontro Festivais de cinema: olhando para o futuro, organizado pela FUNDACIÓN MAPFRE através do seu Festival de Cinema 4+1. Pablo Jiménez Burillo, Diretor Geral do seu Instituto de Cultura, declarou que “os festivais são indispensáveis para o desenvolvimento da indústria cinematográfica”. Além disso, anunciou que a III Edição do Festival de Cinema 4+1 será celebrada de 21 a 25 de novembro de 2012 “sendo o Centro Cultural do Banco do Brasil no Rio de Janeiro a sede central deste ano”.
GLOBALIZAÇÃO, UMA OPORTUNIDADE DE PROMOÇÃO PARA O CINEMA LATINO-AMERICANO
Na primeira mesa redonda do encontro, Perspectivas frente à globalização. Uma visão a partir da América Latina, o Ex-diretor da Cinemateca Distrital de Bogotá, Sergio Becerra, deu início a um debate sobre a interação dos festivais em ambos os lados do Atlântico, destacando “que há autores defendidos e promovidos pelos festivais” e agregou que “Berlim e outros festivais funcionam como co-produtores e que, portanto, seus curadores têm influência no que se espera do cinema latino-americano”. Ainda sobre este tema, o Coordenador do Festival de Cinema 4+1 no MALBA-Fundación Costantini de Buenos Aires, Manuel Ferrari, advertiu que “territorializar os filmes nos festivais é um problema” e que “alguns curadores consideram que os filmes que têm êxito nos festivais são aqueles que são vistos como locais”. Baseando-se em sua experiência como Ex-diretor do Festival de Cinema da Havana, Iván Giroud defendeu esses encontros culturais que “formam um circuito de festivais onde o cinema, toda a indústria e o negócio estão em movimento. Os festivais permitem que o cinema independente exista, circule e seja visto”. Nesse sentido, Bertha Quintero, Diretora das Artes, IDARTES, de Bogotá, assegurou que “os festivais ajudam na formação de público: crianças e jovens que são o futuro do cinema”.
AS NOVAS FÓRMULAS DE FINANCIAMENTO, FATORES CHAVE PARA A SUSTENTABILIDADE
Durante sua participação na segunda mesa redonda, Os festivais de cinema frente à crise, a Diretora Geral do ICAA, Susana de la Sierra, comentou que “o apoio público é necessário” mas destacou que “as sinergias entre o financiamento público e privado são fundamentais”. De la Sierra aproveitou também para alertar que “há confusão entre o que são os incentivos fiscais da Lei do Cinema e o que é a Lei de Mecenato”. “Tratam-se de sistemas distintos que estão sendo tramitados de maneira paralela”, explicou.
José Luis Rebordinos, Diretor do Festival de Cinema de San Sebastián, comentou que “uma das responsabilidades dos diretores de cinema é conseguir um financiamento privado e manter o público” e ressaltou a necessidade de que exista um “rigor técnico” na gestão dos orçamentos dos festivais. Nesse sentido, o Diretor do Festival Internacional de Cinema Documental Punto de Vista, Josetxo Cerdán, opinou que “a qualidade de um festival reside em sua personalidade, própria e diferenciada, e não depende do valor do seu orçamento”. Além disso, em defesa da realização de mostras, declarou que “a cinefilia é um ativo de um país” e esboçou a necessidade de transformar o circuito de festivais “em uma autêntica rede de colaboração de alcance internacional”. Finalmente, o Ex-diretor do Festival Internacional de Cinema de Gijón, José Luis Cienfuegos, acrescentou que “o uso do dinheiro público em festivais deve ser avaliado”, que “é necessário formar um público em cada cidade onde sejam celebrados” e destacou “a responsabilidade da mídia na hora de divulgá-los de maneira homogênea”.
Nessa mesma linha, Rebordinos lembrou, durante o debate, que é necessário “rejuvenescer o público” e usou como exemplo a aposta da FUNDACIÓN MAPFRE com o “Pequeno Estúdio de Cinema que, com motivo da celebração do festival, em sua última edição recebeu mais de 17.000 crianças que realizaram atividades sobre o nascimento do cinema e as projeções”. Por último, com relação à função dos festivais como catalisadores do cinema em suas regiões, o diretor anunciou que “o Festival de Cinema de San Sebastián realizará um fórum de coprodução entre América Latina e Espanha para projetos que possuam 20% de seu financiamento já garantido”.
DIGITALIZAÇÃO: AMEAÇA OU OPORTUNIDADE?
Na terceira mesa de debate o moderador Gerardo Sánchez, Diretor do programa Días de Cine da TVE, iniciou a conversa sobre O cinema de festivais fora das salas questionando o valor das plataformas digitais como alternativa para o público que não comparece às salas. Nesse sentido, o Sócio Fundador e CEO da Filmin, Juan Carlos Tous, argumentou que “internet significa acessibilidade, e um festival acessível cumpre com sua função: promover o cinema”. Do mesmo modo, Domingo Corral, Diretor da Turner Broadcasting System Espanha, acrescentou que “há um público do cinema de autor, que é exibido em festivais, ao qual se chega através da televisão por assinatura e pela internet”. Além disso, explicou que devido aos avanços tecnológicos, “futuramente não haverá distinção entre TV e internet”, duas alternativas complementarias à exibição tradicional em salas de cinema. Carlos F. Heredero, Diretor de Caimán Cuadernos de Cine, falou em defesa dos festivais afirmando que “nenhuma cultura, de nenhum país, pode abdicar de uma política de festivais estável”.
Os três palestrantes concordaram que a internet é o futuro do cinema e, portanto, dos festivais, e indicaram que “um festival é um ponto de encontro presencial, algo que não é possível reproduzir online”, a possibilidade do online é “fundamental e complementária a qualquer festival”.
No turno de conclusões desse evento, sucesso de público, Pablo Jiménez Burillo lançou uma questão que recopila o espírito do encontro e dá passo à celebração de um novo encontro: “O que devemos fazer para poder ver o cinema que queremos ver?”.
O encontro foi massivamente seguido através da página do Festival de Cinema 4+1 no Facebook e do seu perfil no Twitter (@4mas1) com o hashtag #futurodefestivales, confirmando a excelente recepção da iniciativa de transmitir o evento por streaming, que foi aplaudida por numerosos internautas e, especialmente, pelos profissionais do setor cinematográfico que não puderam comparecer ao evento pessoalmente.